Ozônio*  em Peruíbe ?!!

É comum em diversas publicações sobre Peruíbe constar que seu ar é altamente ozonizado (índice de 5,6%, só abaixo da pureza de Campos de Jordão e das cidades suíças), até o Guia 4 rodas, versões Guia de Praias, Guia Brasil -  Editora Abril  editava tal informação em edições anteriores a  l998, sendo excluída  nas edições mais recentes.
Movidos por sentimentos ufanistas, nossos escritores influenciados pelo potencial das nossas riquezas, pelas belezas naturais do nosso município se vangloriaram desmedidamente ao afirmarem da quantidade de ozônio no ar, equivocaram-se sobre o elemento químico. Azevedo Marques menciona nevoeiro, e com o passar do tempo a palavra chave transforma-se em ozônio, termo cientificamente incorreto e que deve ser banido, uma vez que não qualifica corretamente, tão pouco positivamente nosso Município.
O site peruibe.tur.br encaminhou e-mails para a Cetesb e para INPE para saber sobre a veracidade de tais informações, nos seguintes termos: “Solicitamos a especial gentileza de, se possível, nos informarem/orientarem como poderíamos descobrir a fonte da informação de que no ar de nossa cidade, Peruíbe,  existe o percentual de 5,6 de ozônio. Estamos a procura da verdade, que fundamente cientificamente se trata-se de realidade ou lenda".
As respostas estão transcritas abaixo:

 Em 14 de novembro de 2000 foi enviado e-mail para Cetesb.sp.gov
A resposta chegou em 17 de novembro: -“Desconhecemos qualquer informação nesse sentido, uma vez que a Cetesb não fez medição de ozônio em Peruíbe. Se tal medição foi realizada por outra instituição e conseguires dispor de sua fonte, nos colocamos a disposição para a confirmação de sua veracidade”. -Carlos Ibsen Vianna Laçava, Gerente do Setor de Interpretação de Dados CETESB - Reg. 6058-9 - Fone: 3030-6832 
Em 17 de novembro de 2000 foi enviado e-mail para O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais com o intuito de elucidar se as afirmativas sobre o índice de ozônio em Peruíbe estavam embasadas em dados científicos. Prontamente respondido por Volker W.J.H. Kirchhoff, PhD, funcionário do INPE (O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), é autor de mais de setenta artigos científicos publicados em revistas de circulação internacional como revisor; autor de 4 livros (um dos quais é "Queimadas na Amazônia e Efeito Estufa"); tem vasta experiência em estudos de queimadas; fundador no INPE do laboratório de ozônio; coordenador da rede de monitores de ozônio e radiação UV-B do INPE; foi o coordenador Brasileiro de vários experimentos internacionais de grande vulto no Brasil, como as missões da NASA TRACE-A de 1992, e a mais recente missão SCAR-B em 1995. É um ex membro do IGAC e presidente do COSPAR/Brasil. Foi considerado pela Revista Superinteressante um dos 100 mais importantes cientistas Brasileiros, na área de Meio Ambiente, na edição de n º.100, janeiro de 1996. Recebeu o Group Achievement Award da NASA pela participação no projeto MAPS. Por ocasião dos festejos de 10 anos do Protocolo de Montreal, 1997, recebeu do Ministério do Meio Ambiente Prêmio especial "Em reconhecimento aos relevantes trabalhos realizados para a proteção da camada de ozônio". Recebeu ainda o prêmio do Mérito Cartográfico, 1998, e a medalha "Mérito Santos Dumont", 1999. Exerceu diversos cargos administrativos no INPE, sendo atualmente o chefe do Laboratório de Ozônio (http://www.ozonio.crn.inpe.br) Coordenador de Programas Especiais, e o Diretor substituto.
Resposta: "Realmente, trata-se de uma lenda. Aliás, uma lenda prejudicial para a cidade de Peruíbe e adjacências”.O ozônio na baixa atmosfera é um poluente. Altas concentrações de Ozônio na superfície são prejudiciais à saúde. Existe um limite legal de 80 ppbv que não deve ser ultrapassado, regulamentado pelo IBAMA.
O ozônio de Peruíbe e adjacências é normal, e está bem abaixo do valor acima. Só nas grandes cidades, ou perto de grandes queimadas pode a concentração do ozônio aumentar significativamente".
03/10/2003
A Secretaria Paulista do Meio Ambiente declarou hoje estado de atenção em dois municípios e em três bairros de São Paulo por causa da alta concentração de ozônio.
A cada dois meses Tamires faz inalação.
"É só ela ter contato com a poluição que ela fica ruim e aí começa tudo de novo", conta a mãe de Tamires.
A poluição ataca crianças, adultos e idosos. Estudo da Faculdade de Medicina da USP mostra que 455 pessoas com mais de 75 anos morrem por ano em São Paulo por causa de doenças respiratórias relacionadas a grande quantidade de poluentes no ar. O principal deles é o ozônio.
Ele surge da queima de combustível usado em aviões, ônibus, e principalmente carros.
Um terço da gasolina é composto por olefinas, substância derivada do petróleo. Ao serem expelidas elas entram em contato com gases do ar e com a luz do sol. É aí que se forma o ozônio.
É o mesmo gás que compõe a camada que envolve o planeta Terra. Lá em cima, na estratosfera, é um escudo e nos protege dos raios solares. Mas aqui em baixo, quando inalado, é um inimigo.
Como muitos poluentes o ozônio é invisível. Mas os efeitos dele sobre os organismos vivos são bem perceptíveis. A Faculdade de Medicina da USP fez uma pesquisa sobre o impacto do ozônio nas folhas de tabaco.
Resultado: as folhas ficaram todas manchadas. A área marrom é tecido morto pela ação do ozônio.
Nas grandes cidades a alta concentração de ozônio também está relacionada ao câncer.
"A gente sabe que o ozônio é um carcinógeno e em São Paulo está relacionado com câncer das vias aéreas superiores, principalmente laringe e cordas vocais", fala o médico Paulo Saldiva.
A companhia que cuida do meio ambiente diz que a solução é mudar a composição da gasolina, diminuindo as olefinas.
"Os programas que deram certo no mundo basearam-se na redução dos compostos reativos na gasolina. Queremos reduzir o ozônio na atmosfera", diz gerente da Cetesb Manoel Toledo.
A companhia ambiental e a Agência Nacional de Petróleo formaram um grupo de estudos para avaliar a emissão de olefina em São Paulo.

Fonte: http://jornalnacional.globo.com/semana.jsp?id=29624 

A LENDA
Uma das montanhas que rodeiam Peruíbe produz a leve e suave energia chamada ozônio. Essa montanha misteriosa tem diversos nomes e os antigos caiçaras chamam-na de morro do Inácio. Hoje ela pertence à Serra de Itatins e é uma das atrações da região. Diz a lenda que o ozônio surge de diversos lugares, pelas frestas e galerias ocultas aparece uma nuvem branca de neblina, que desce devagar pela cidade, envolvendo todos os seus moradores e espargindo energia suavemente, que realiza cura para muitos males. Por estas razões, os antigos silvícolas deram o nome à elevação de Itatins, a morada dos deuses. Eles julgavam que somente estes podiam doar essa energia revigorante, deuses que habitavam a montanha, mantendo-se sempre ocultos e invisíveis. 

 * Definição de Ozônio: Variedade do oxigênio na qual cada molécula é composta de três átomos, ao invés de dois (oxigênio triatômico, O3). É um gás azul pálido que possui um odor acre e que não se encontra necessariamente presente no litoral. Entretanto , ocorre naturalmente como resultado da reação do oxigênio com a radiação solar ultravioleta (filtrada na troposfera - camada atmosférica que vai da superfície até uma altitude média de 10km.), formando uma camada também chamada ozonosfera (camada da atmosfera terrestre situada entre as altitudes de 12 a 50km), na qual existe uma concentração de ozônio relativamente elevada que faz parte da estratosfera (camada atmosférica situada acima de 12.000m de altitude), que envolve a Terra. O ozônio está constantemente sendo produzido e destruído dentro desta camada. Foi demonstrado que as reações envolvidas são afetadas pela presença de certos gases, principalmente de óxidos de nitrogênio e de clorofluorcarbonetos (CFCs). Estes gases são produzidos por atividades industriais e dão origem a áreas de depleção de ozônio ou ‘buracos’ na camada de ozônio. O resultado mais imediato é a redução do efeito protetor da camada de ozônio contra a prejudicial radiação ultravioleta do sol.  [voltar]

 

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