Reportagem publicada pela Revista Beach & Co

Estação Ecológica de Juréia-Itatins

Uma das maiores riquezas naturais do mundo

Fotos: Pedro Rezende

Ano III - Edição 29

Clique para ampliar

Foto: Pedro Rezende

Clique para ampliar

Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
A Unesco considera Patrimônio Mundial Cultural e Natural, os bens inestimáveis e insubstituíveis não apenas para uma nação, mas para toda a humanidade. Assim, a perda por degradação ou desaparecimento de qualquer um desses preciosos bens constitui um empobrecimento do patrimônio de todos os povos do mundo
Clique para ampliar
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
É diante de toda esta rara beleza que se encontra a EEJI, um de nossos mais ricos tesouros naturais, que só podem mesmo ser encontrados em uma região classificada como Patrimônio Mundial

 

Clique para ampliar

Foto: Pedro Rezende

Fotos não publicadas

Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Foto: Pedro Rezende
Com uma área de 79.830 hectares e um gradiente altitudinal que vai do nível do mar até cerca de 1.400m, a Estação Ecológica de Juréia-Itatins (EEJI), situada entre os municípios paulistas de Iguape, Peruíbe, Itariri, Miracatu e em parte do de Pedro de Toledo, é o que podemos caracterizar como uma das maiores riquezas brasileiras. Declarada pela Unesco como Sítio do Patrimônio Mundial Natural, ela guarda em seus diversos ecossistemas associados (Mata Atlântica, restingas, manguezais, banhados, praias e costões rochosos), uma imensa fortuna biológica que poucos locais do mundo concentram num só lugar.
Localizada exatamente dentro da Floresta Atlântica, região do Complexo Estuarino - Lagunar de Iguape - Cananéia - Paranaguá, entre o Sul do Estado de São Paulo e o Litoral Norte do Paraná (ao todo, são 468.193 hectares que abrangem 25 áreas legalmente protegidas), a EEJI é considerada o coração da zona mais preservada da Mata Atlântica. A biodiversidade lá encontrada é tão grande, que ela também é conhecida como um dos mais importantes ecossistemas de todo o mundo.

O significativo nível de endemismo (fenômeno no qual uma espécie só ocorre em determinada região), é demonstrado pelo fato de novas espécies, tanto da fauna quanto da flora, serem descobertas constantemente, por meio de pesquisas científicas (aliás, um dos papéis principais de uma Unidade de Conservação). Mais ainda, por uma infinidade de outras espécies animais ali existentes, ameaçadas de extinção (tucano, anta, jacutinga, onça-pintada, papagaio-chaúa e mono-carvoeiro, entre outros), o que só reafirma a importância desse nosso patrimônio natural.
Por todos esses fatores favoráveis, a Lei Estadual 5.649, de 28 de abril de 1987, transformou a área em uma estação ecológica. A partir de então, ela passou a ser administrada pela Divisão de Reservas e Parques Estaduais do Instituto Florestal, órgão pertencente à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, e assim, ter a responsabilidade de fiscalizar, monitorar o uso público, fomentar a educação ambiental e as pesquisas, e, ainda, dar apoio à regularização fundiária, já que muitos terrenos situados dentro da Estação são particulares. Para tanto, seis núcleos foram montados no entorno da área como pontos de apoio.
Também para resguardar todo o tesouro natural lá existente, a visitação pública foi proibida na maior parte da EEJI. Atualmente, são permitidas visitas monitoradas em apenas três locais: Núcleo Itinguçu e Vila Barra do Una, ambos em Peruíbe, e no Canto da Praia da Juréia, no município de Iguape. Para adentrar nas demais áreas, somente com solicitação prévia e quando esta for destinada a pesquisas científicas à proteção do ambiente natural e ao desenvolvimento da educação conservacionista.

Natureza por inteiro

Composta por rios, cachoeiras, floresta atlântica, áreas de mangue, restingas e mais de 40 km de praias, a Juréia-Itatins apresenta paisagens de impressionante beleza. Tanto que, basta ficar apenas um minutinho quieto em meio à Estação Ecológica para sentir o inebriante som da natureza, produzido pela mata em seu mais completo estado.
Visitando-a pelo lado do município de Peruíbe, a Unidade de Conservação inicia-se com a travessia do rio Guaraú. A partir dali, são quilômetros e quilômetros de praias desertas e uma extensa faixa de área verde, que concentra variadas espécies da fauna. Tem onça-pintada, suçuarana, anta, quati, paca, veado, cateto, queixada, lontra, cachorro-do-mato, cachorro-do-mangue, irara, preguiça, mono-carvoeiro, macaco-prego, jacaré-de-papo-amarelo, bugio, caxinguelê, ufa.. e mais uma infinidade de outros.

Entre as aves, por exemplo, pode-se avistar jacutinga, jacu, jaó, macuco, sabiacica, tucano-de-bico-preto, tucano-de-bico-verde, gavião-pombo, bacurau e surucuá, entre outras.
A diversidade da flora é outra riqueza inigualável. Facilmente, encontram-se variadas famílias de orquídeas e de canelas, bem como pés de quaresmeiras, angicos, maçarandubas, jacarandás, cedros, guapuruvús, jatobás e palmeiras.
Permeando toda a área da EEJI estão oito rios: o Una do Prelado, Verde, Grajaúna, Guaraú, Branco, Despraiado, Aguapeú e o Cabuçú. Com aproximadamente 50 km de extensão, o Una do Prelado ou Comprido, como também é conhecido, é um dos mais importantes rios da região.
Serve como bacia de captação dos diversos rios que descem a vertente norte da Serra da Juréia e a vertente atlântica da Serra dos Itatins. Dominado pela influência da maré na maior parte de sua extensão, suas águas possuem uma coloração escura mas, nem por isso, menos translúcida.
Já o Verde, que é o principal canal de drenagem do maciço da Juréia, é completamente diferente. Também é influenciado pelas marés, porém, é um rio mais claro e bem menor. Tem só 3 km de extensão.
Para completar o quadro encontrado dentro da Estação, cerca de 360 seres humanos tentam conviver em harmonia com esse rico ambiente. São membros de tradicionais famílias caiçaras que residiam na área, antes mesmo de ela ser transformada em uma estação ecológica e, é claro, também vivem sob a vigília dos guarda-parques da EEJI, responsáveis pela fiscalização do lugar.

Dedo de Deus

Ironia do destino ou não, é justamente lá, na Estação, que também está cravado um dos dedos de Deus. O "Pico Dedo de Deus", como é conhecido, é o ponto mais alto da EEJI. A montanha fica bem na Serra do Itatins, a cerca de 1400m de altitude, e é dali que os mais antigos caiçaras da região afirmam ter surgido a lenda de que, a cada sete anos, saia um tucano de fogo em direção ao maciço da Juréia, para indicar a vinda de um ano próspero.
Já a história da presença humana na Juréia-Itatins remonta à pré-história, conforme atestam diversos sambaquis. Ali, ainda se encontra o primeiro caminho aberto em território brasileiro, que ligava São Vicente à Cananéia, conhecido como Correio do Imperador. Por esse trajeto, segundo afirmam alguns historiadores, D. Pedro seguia à cavalo, de São Paulo até o Rio Grande do Sul.
Mais tarde, o local foi denominado como Caminho do Telégrafo, em razão da construção, durante o segundo Império, da primeira linha telegráfica do país. Ainda hoje podem se avistar inúmeros postes enferrujados pelo caminho.

Mas a passagem do tempo também deixou marcas irreparáveis na EEJI. Por conta de um decreto federal do então presidente João Figueiredo, no ano de 1980, pretendia-se utilizar 23.600 hectares da área para abrigar as usinas nucleares Iguape 4 e 5, integrantes do Programa Brasileiro de Centrais Nucleares. Felizmente, a intenção não deu resultados e a idéia acabou sendo abortada, mas até hoje existem as marcas de alguns dos estragos feitos na época (escavações e desmatamentos), em razão do projeto.
Atualmente, conforme explica o engenheiro florestal Joaquim do Marco Neto, responsável pelo expediente da Unidade de Conservação, os perigos que ameaçam a Juréia-Itatins são em menor grau, porém complicados de se resolver. Entre eles, está a extração irregular do palmito Juçara e a questão fundiária, além da insistência da presença humana, sem qualquer tipo de controle e consciência ambiental, na Unidade de Conservação. Esse problema, segundo ele, acentua-se ainda mais nas áreas liberadas para visitação monitorada (Vila Barra do Una, Praia da Juréia e Núcleo Itinguçu). "São áreas onde a pressão de uso é grande e permanente", diz.
Mas é justamente para tentar diminuir esses problemas que já estão sendo desenvolvidas diretrizes para o zoneamento de todo o espaço da Estação, com a elaboração de um novo plano de manejo. Com previsão de conclusão para o final deste ano, o trabalho tem como propósito observar as características do biofísico, uso e ocupação do solo atual e, assim, verificar a possibilidade de liberar novas áreas à visitação ou intensificar ainda mais a restrição dessas visitas.
"Conforme a legislação que autoriza usar até 3% da área total para a educação ambiental, estamos buscando confeccionar trilhas estruturadas com pontos de apoio, como laboratórios e museus aos visitantes", explica o engenheiro florestal.
"Mas outras ajudas também podem ser muito bem-vindas", completa ele, referindo-se à possibilidade de uma colaboração dos proprietários de terrenos do entorno da EEJI para a preservação de toda a área. Afinal, é mesmo dessa forma que a Unesco estabelece como Patrimônio Mundial Natural um precioso, inestimável e insubstituível bem como esse nosso.

Leia também a reportagem sobre a Lama Negra de Peruíbe

 

© 1.999-2.007  peruibe.tur.br -  Venha, Veja, AME PERUIBE  e hospede-se no Devaneio Praia Hotel
Todos os direitos reservados - Permitida  reprodução com citação da fonte - JTP webmaster
 

Google