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A Unesco considera Patrimônio
Mundial Cultural e Natural, os bens inestimáveis e
insubstituíveis não apenas para uma nação, mas para
toda a humanidade. Assim, a perda por degradação ou
desaparecimento de qualquer um desses preciosos bens
constitui um empobrecimento do patrimônio de todos os
povos do mundo
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| É diante de toda esta
rara beleza que se encontra a EEJI, um de nossos mais
ricos tesouros naturais, que só podem mesmo ser
encontrados em uma região classificada como Patrimônio
Mundial |
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Com uma área de
79.830 hectares e um gradiente altitudinal que vai do nível do
mar até cerca de 1.400m, a Estação Ecológica de Juréia-Itatins
(EEJI), situada entre os municípios paulistas de Iguape, Peruíbe,
Itariri, Miracatu e em parte do de Pedro de Toledo, é o que
podemos caracterizar como uma das maiores riquezas brasileiras.
Declarada pela Unesco como Sítio do Patrimônio Mundial
Natural, ela guarda em seus diversos ecossistemas associados
(Mata Atlântica, restingas, manguezais, banhados, praias e costões
rochosos), uma imensa fortuna biológica que poucos locais do
mundo concentram num só lugar.
Localizada exatamente dentro da Floresta Atlântica, região do
Complexo Estuarino - Lagunar de Iguape - Cananéia - Paranaguá,
entre o Sul do Estado de São Paulo e o Litoral Norte do Paraná
(ao todo, são 468.193 hectares que abrangem 25 áreas
legalmente protegidas), a EEJI é considerada o coração da
zona mais preservada da Mata Atlântica. A biodiversidade lá
encontrada é tão grande, que ela também é conhecida como um
dos mais importantes ecossistemas de todo o mundo.
O significativo nível de
endemismo (fenômeno no qual uma espécie só ocorre em
determinada região), é demonstrado pelo fato de novas espécies,
tanto da fauna quanto da flora, serem descobertas
constantemente, por meio de pesquisas científicas (aliás, um
dos papéis principais de uma Unidade de Conservação). Mais
ainda, por uma infinidade de outras espécies animais ali
existentes, ameaçadas de extinção (tucano, anta, jacutinga,
onça-pintada, papagaio-chaúa e mono-carvoeiro, entre outros),
o que só reafirma a importância desse nosso patrimônio
natural.
Por todos esses fatores favoráveis, a Lei Estadual 5.649, de 28
de abril de 1987, transformou a área em uma estação ecológica.
A partir de então, ela passou a ser administrada pela Divisão
de Reservas e Parques Estaduais do Instituto Florestal, órgão
pertencente à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, e assim,
ter a responsabilidade de fiscalizar, monitorar o uso público,
fomentar a educação ambiental e as pesquisas, e, ainda, dar
apoio à regularização fundiária, já que muitos terrenos
situados dentro da Estação são particulares. Para tanto, seis
núcleos foram montados no entorno da área como pontos de
apoio.
Também para resguardar todo o tesouro natural lá existente, a
visitação pública foi proibida na maior parte da EEJI.
Atualmente, são permitidas visitas monitoradas em apenas três
locais: Núcleo Itinguçu e Vila Barra do Una, ambos em Peruíbe,
e no Canto da Praia da Juréia, no município de Iguape. Para
adentrar nas demais áreas, somente com solicitação prévia e
quando esta for destinada a pesquisas científicas à proteção
do ambiente natural e ao desenvolvimento da educação
conservacionista.
Natureza por inteiro
Composta por rios, cachoeiras, floresta atlântica, áreas de
mangue, restingas e mais de 40 km de praias, a Juréia-Itatins
apresenta paisagens de impressionante beleza. Tanto que, basta
ficar apenas um minutinho quieto em meio à Estação Ecológica
para sentir o inebriante som da natureza, produzido pela mata em
seu mais completo estado.
Visitando-a pelo lado do município de Peruíbe, a Unidade de
Conservação inicia-se com a travessia do rio Guaraú. A partir
dali, são quilômetros e quilômetros de praias desertas e uma
extensa faixa de área verde, que concentra variadas espécies
da fauna. Tem onça-pintada, suçuarana, anta, quati, paca,
veado, cateto, queixada, lontra, cachorro-do-mato,
cachorro-do-mangue, irara, preguiça, mono-carvoeiro,
macaco-prego, jacaré-de-papo-amarelo, bugio, caxinguelê, ufa..
e mais uma infinidade de outros.
Entre as aves, por exemplo,
pode-se avistar jacutinga, jacu, jaó, macuco, sabiacica,
tucano-de-bico-preto, tucano-de-bico-verde, gavião-pombo,
bacurau e surucuá, entre outras.
A diversidade da flora é outra riqueza inigualável.
Facilmente, encontram-se variadas famílias de orquídeas e de
canelas, bem como pés de quaresmeiras, angicos, maçarandubas,
jacarandás, cedros, guapuruvús, jatobás e palmeiras.
Permeando toda a área da EEJI estão oito rios: o Una do
Prelado, Verde, Grajaúna, Guaraú, Branco, Despraiado, Aguapeú
e o Cabuçú. Com aproximadamente 50 km de extensão, o Una do
Prelado ou Comprido, como também é conhecido, é um dos mais
importantes rios da região.
Serve como bacia de captação dos diversos rios que descem a
vertente norte da Serra da Juréia e a vertente atlântica da
Serra dos Itatins. Dominado pela influência da maré na maior
parte de sua extensão, suas águas possuem uma coloração
escura mas, nem por isso, menos translúcida.
Já o Verde, que é o principal canal de drenagem do maciço da
Juréia, é completamente diferente. Também é influenciado
pelas marés, porém, é um rio mais claro e bem menor. Tem só
3 km de extensão.
Para completar o quadro encontrado dentro da Estação, cerca de
360 seres humanos tentam conviver em harmonia com esse rico
ambiente. São membros de tradicionais famílias caiçaras que
residiam na área, antes mesmo de ela ser transformada em uma
estação ecológica e, é claro, também vivem sob a vigília
dos guarda-parques da EEJI, responsáveis pela fiscalização do
lugar.
Dedo de Deus
Ironia do destino ou não, é justamente lá, na Estação,
que também está cravado um dos dedos de Deus. O "Pico
Dedo de Deus", como é conhecido, é o ponto mais alto da
EEJI. A montanha fica bem na Serra do Itatins, a cerca de 1400m
de altitude, e é dali que os mais antigos caiçaras da região
afirmam ter surgido a lenda de que, a cada sete anos, saia um
tucano de fogo em direção ao maciço da Juréia, para indicar
a vinda de um ano próspero.
Já a história da presença humana na Juréia-Itatins remonta
à pré-história, conforme atestam diversos sambaquis. Ali,
ainda se encontra o primeiro caminho aberto em território
brasileiro, que ligava São Vicente à Cananéia, conhecido como
Correio do Imperador. Por esse trajeto, segundo afirmam alguns
historiadores, D. Pedro seguia à cavalo, de São Paulo até o
Rio Grande do Sul.
Mais tarde, o local foi denominado como Caminho do Telégrafo,
em razão da construção, durante o segundo Império, da
primeira linha telegráfica do país. Ainda hoje podem se
avistar inúmeros postes enferrujados pelo caminho.
Mas a passagem do tempo também
deixou marcas irreparáveis na EEJI. Por conta de um decreto
federal do então presidente João Figueiredo, no ano de 1980,
pretendia-se utilizar 23.600 hectares da área para abrigar as
usinas nucleares Iguape 4 e 5, integrantes do Programa
Brasileiro de Centrais Nucleares. Felizmente, a intenção não
deu resultados e a idéia acabou sendo abortada, mas até hoje
existem as marcas de alguns dos estragos feitos na época
(escavações e desmatamentos), em razão do projeto.
Atualmente, conforme explica o engenheiro florestal Joaquim do
Marco Neto, responsável pelo expediente da Unidade de Conservação,
os perigos que ameaçam a Juréia-Itatins são em menor grau,
porém complicados de se resolver. Entre eles, está a extração
irregular do palmito Juçara e a questão fundiária, além da
insistência da presença humana, sem qualquer tipo de controle
e consciência ambiental, na Unidade de Conservação. Esse
problema, segundo ele, acentua-se ainda mais nas áreas
liberadas para visitação monitorada (Vila Barra do Una, Praia
da Juréia e Núcleo Itinguçu). "São áreas onde a pressão
de uso é grande e permanente", diz.
Mas é justamente para tentar diminuir esses problemas que já
estão sendo desenvolvidas diretrizes para o zoneamento de todo
o espaço da Estação, com a elaboração de um novo plano de
manejo. Com previsão de conclusão para o final deste ano, o
trabalho tem como propósito observar as características do
biofísico, uso e ocupação do solo atual e, assim, verificar a
possibilidade de liberar novas áreas à visitação ou
intensificar ainda mais a restrição dessas visitas.
"Conforme a legislação que autoriza usar até 3% da área
total para a educação ambiental, estamos buscando confeccionar
trilhas estruturadas com pontos de apoio, como laboratórios e
museus aos visitantes", explica o engenheiro florestal.
"Mas outras ajudas também podem ser muito
bem-vindas", completa ele, referindo-se à possibilidade de
uma colaboração dos proprietários de terrenos do entorno da
EEJI para a preservação de toda a área. Afinal, é mesmo
dessa forma que a Unesco estabelece como Patrimônio Mundial
Natural um precioso, inestimável e insubstituível bem como
esse nosso. 
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