
Da Aldeia de São
João de Perohybe à Estância Balneária de Peruíbe...
| As Aldeias Missionárias eram aldeamentos
criados para catequizar e civilizar o índio em seu próprio
ambiente e deram origem a vários povoados, mais tarde vilas e
cidades. Os
portugueses conheciam exaustivamente a costa brasileira, no
mapa (1553) interpretativo do quinhentismo é possível notar com clareza
as aldeias. |

O desenho reproduz uma aldeia e se baseia no
original de Alberto Eckout |
A Aldeia de São
João Batista, a partir de 1640 passou a ser conhecida com essa denominação,
porém a aldeia perdeu o Foro de Vila, cedendo-o aos
portugueses que residiam em Itanhaém.
Pelo fato dos jesuítas estarem protegendo
demais os indígenas, foram expulsos no século XVII, em meados de 1648.
Conceição
de Itanhaém foi elevada à sede de Município por Carta Régia de 20 de
Outubro de 1700.
Dois documentos encontrados na
Biblioteca Nacional, datados de 1767 e 1769, referem-se a acontecimentos
ocorridos na Aldeia de São João: os vereadores da Câmara de Itanhaém se
queixavam da extinção da categoria de “índios administrados”, que
constituíam a maior parte dos seus ganhos ou agências aos frades residentes.
No
último quarto do século XVIII, a Aldeia de Peruíbe passa a ter uma
produção para comércio de chapéus de palha, esteiras e fios de tucum.
E estão em permanente disputa com os religiosos sobre o quanto, de seus
proventos, devem ser deixados à igreja.
Em 1803, os índios foram
consultados sobre a opção da Aldeia ser transformada em freguesia, sendo
visitada por um padre secular, ou permanecer tutelada pelos religiosos
franciscanos. Os índios responderam, com seu capitão à frente, que desejavam
a saída dos frades. Em seguida, os franciscanos deixaram para sempre a Aldeia,
levando os equipamentos que beneficiavam a vida dos índios como carros de bois
e ferramentas, dentre outros.
O
número de moradores de Itanhaém, abaixa devido ao êxodo da maior parte da população da Vila
para o interior, atraídos pela fama das descobertas de minas de ouro e de
pedras preciosas, e a economia local é relegada ao pequeno comércio de
madeiras, esteiras, chapéus e fios de tucum da população local, os índios
da extinta Aldeia - assim passou a ser chamada a freguesia - perderam
lugar, empobreceram mais ainda. Perderam terras, alguns se mestiçaram com
os caiçaras vizinhos, viviam de minguadas roças e, eventualmente,
pescavam.
Ficaram
com o usufruto da terra, nada mais, mas a mercê de qualquer proprietário
vizinho mais aquinhoado ou mais ousado que quisesse se expandir. O
processo de apropriação individual das terras comuns, como a de São João,
ainda não é conhecido. Mas poucas famílias da extinta Aldeia de São João
garantiram mais terreno para si e uma produção maior de farinha de
mandioca, muito superior que o
da maioria. João do Prado e sua família são um exemplo, o mais
expressivo deles. Em 1.830 (e mesmo antes), produziam cerca de 50
alqueires anuais de farinha de mandioca.
Em
1.829, os vereadores de Itanhaém informam ao Presidente da Província de
São Paulo que a única freguesia (local com maior concentração de
moradores) existente no município, a Aldeia de São João de Peruíbe (da
praia), estava em “estado de completo abandono sem igreja (sic), sem Vigário
e até sem fregueses que na maior parte tem se mudado para diversos
lugares desta Província”. Portanto, concluem eles, sem condições de
ser elevado à condição de Vila.
Em
1837 apareceram nos matos do território, os chamados jaguanans (indivíduo
dos jaguanas Yaguana, povo indígena extinto que habitava a margem
esquerda do rio Amazonas, na confluência com o rio Japurá AM), que
emigravam das margens do rio Paraguai, dirigindo-se a oeste, onde, por
antigas tradições, deviam achar o fim da terra. Mais de trinta anos já
tinham decorrido desde que haviam principiado a viagem. O certo é que de
todos os indivíduos que compunham então a tribo, só restava dois que
haviam visto as terras do Paraguai: o Cacique e um velho guerreiro, cheio
de cicatrizes chamado Sebastião.
Em 1852, recebeu sua primeira "Cadeia
Educacional" para o sexo masculino, e, em 1871, para o sexo feminino. Sua
população era maior que a de Itanhaém, porém o censo informava somente o
total da população entre os municípios vizinhos, os quais pertenciam ao município
de Itanhaém.
Durante
o Segundo Império a região é atravessada pelo Correio do
Imperador, unindo as regiões sul e sudeste do país, eram levadas
encomendas, pólvora, armas e as ordens do capitão mor. Cursando
e melhorando a antiga trilha dos índios, nasceu a primeira via oficial em
1864, sendo utilizada pelos voluntários da Guerra do Paraguai. A
Rede de Telégrafo Nacional é instalada, e a fixação dos postes do telégrafo
vai até na ilha do Cardoso. A trilha hoje ainda se conserva na
Reserva Ecológica da Juréia, quando postes de telégrafo carcomidos pela
ferrugem se misturam à mata espessa, seguindo a costa, rumo ao sudoeste.
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Uma
das maiores festas que se realizava na Vila de Conceição era a Festa do
Divino. Constituía-se de puro folclore regional, mas profundo espírito
religioso. A Folia do Divino era um conjunto de músicos devotos com
paramentos próprios que percorria todo o município (tendo idéia de que
Itanhaém compreendia os atuais municípios de Itariri, Peruíbe e Mongaguá),
de ponta a ponta, por duas vezes, tempos antes do dia da festa. |
Sua
finalidade era tirar esmolas para custear parte da festa e ao mesmo tempo
levar as bênçãos do Divino e um pouco de alegria às residências
humildes dos caiçaras e também às casas das famílias nobres. Um grupo
de homens afeiçoados às tradições dirigido por um representante do
festeiro, e um grupo constituído de dois rabequistas, dois
violeiros, um tambor e dois meninos para a primeira voz. Partia da Vila de
Conceição em direção à atual cidade de Mongaguá, ponto inicial, de
preferência num sábado, pois o dono do sítio Mongaguá aproveitava a
oportunidade para oferecer concorrido fandango (nome que se dava no
litoral ao bate-pé do interior do Estado de São Paulo). A festa tinha
duração de três dias, pois só terminava na segunda feira, quando havia
distribuição de pão bento, coleta de esmolas e procissão à tarde. Após
a cerimônia o sorteio dos festeiros para o próximo ano, leilão de
prendas, queima de fogos.
Por
efeito da Lei Estadual nº1.021, de 6 de Novembro de 1906, o Município de
Conceição de Itanhaém tomou o nome de Município de Itanhaém, e, pela
Lei Estadual nº 1038, de 19 de Dezembro deste ano, a sede Municipal foi
elevada à categoria de Cidade. Itanhaém começa a se tornar o grande
produtor de bananas, época áurea em que têm início as fazendas,
deixando a faixa litorânea e partindo para o interior do município, que
na época abrangia os de Itariri, Mongaguá e Peruíbe.

No
ano de 1.914, vem a estrada de ferro e com ela os primeiros imigrantes. No
entanto, verifica-se que o avanço comercial no litoral sul, inclusive
Peruíbe, data da década de trinta, exatamente quando ocorreu a crise
cafeeira que implicou numa diversificação agrícola, aliada a uma liberação
da força de trabalho que, em parte, pode ter se dirigido à área,
intensificando, assim, a procura de terras para o plantio da nova opção
agrícola.

No
início do século XX, deu-se a construção da estrada de ferro da
Southern São Paulo Railway Company, a 21 de dezembro de 1913 (para logo
depois tornar-se Estrada de Ferro Sorocabana. A 17 de janeiro de 1914 foi
inaugurado o primeiro trecho da ferrovia, predisposta à penetração da
zona litorânea sul-paulista, transpondo em seus trilhos ora matas ainda
virgens localizadas em seguimentos aos manguezais do lagamar de São
Vicente, ora desviando-se para as capoeiras praianas, numa região em
grande parte ainda desconhecida, vítima do tradicional esquecimento.
Esse
primeiro trecho inaugurado começava na cidade de Santos, ponto inicial da
ferrovia, terminando em Itanhaém. Até meados dos anos 40, a estrada de
ferro constituía quase o único meio de comunicação por não se poder
contar como certos outros caminhos entre os quais principalmente: a praia
extensa desde Praia Grande até Itanhaém.
Durante o dia carros de carga transitavam para Santos transportando
continuamente grandes quantidades de cachos de bananas. O ponto fraco da
Estrada de Ferro era a ponte sobre o rio Itanhaém.
Essa ponte que dava passagem unicamente para trens, para
anos mais tarde os carros, media 130m de comprimento, tendo os dormentes
descobertos e era de largura suficiente para dar passagem a apenas uma
composição. De um dos lados da linha os dormentes se achavam protegidos
por duas pranchas de 30cm de largura que serviam para trânsito de
pedestres em horário que não fossem de passagens de trens.
De
um lado e de outro da Estrada de Ferro encontrava-se exclusivamente
capoeira e pouquíssimas casas até a estação de Peruíbe; as habitações
eram na maioria casas dos operários da Sorocabana, uma ou outra cabana de
pescadores caiçaras.

A
Estrada de ferro foi de grande importância, serviu de veia para o
progresso da região na época áurea da banana, sendo seu escoamento
feito através da linha férrea até o Porto de Santos. A mesma linha férrea
serviu muito tempo para os serviços de correio, uma carta de Itanhaém a
São Paulo, demorava na década de 50, para alcançar seu destino cerca de
uma semana.
| O
cultivo da banana na região inicia-se em 1927 quando alguns cidadãos de
fora resolveram subir o rio Itanhaém, e iniciar, no baixo curso do rio
Branco, as primeiras derrubadas para o plantio e cultivo de um produto que
de há muito era a principal riqueza agrícola do litoral paulista. |
 |
De
acordo com as divisões administrativas do Brasil, referentes aos anos de
1911 a 1933, as territoriais datadas de 31 de Dezembro de 1936 e 31 de
Dezembro de 1937, e, conforme o quadro anexo ao decreto-lei Estadual nº
9073, de 31 de Março de 1938, (o município de Itanhaém figurou apenas
como o distrito de igual nome) (Sinopse Estatística - IBGE) e por força
do decreto-lei Estadual nº 9775, de 30 de Novembro de 1938, Itanhaém
perdeu parte do seu território para a formação do Distrito de Itariri,
ficando, conseqüentemente, o município com dois distritos, Itanhaém e
Itariri. A Lei nº 233, de 24 de Dezembro de 1948, criou o município de
Itariri, por desdobramento territorial do município de Itanhaém.
Por
disposições da lei nº 5282, de 18 de Fevereiro de 1959, o território
de Itanhaém foi novamente desmembrado para formação dos Municípios de
Mongaguá e Peruíbe.
Desde
o início do século, milhares de pessoas procuravam as praias da Baixada
Santista. O adensamento desta população turística leva à procura de
novas praias, tendo como uma das opções a direção sul. Só a partir
dos anos cinqüenta, no entanto, é que Itanhaém/Peruíbe
passam a ser procuradas mais freqüentemente pelos veranistas.
Com
a crescente saturação e deterioração das praias santistas, a
ocupação turística em Peruíbe aumenta, a atividade imobiliária, passa
a receber novos investidores no comércio, auxiliada pela melhoria nas
condições de tráfego da área. A Via Anchieta teve sua primeira
pista terminada em 1947 e a segunda em 1950, enquanto que a Rodovia Padre
Manoel da Nóbrega, que liga Santos a Peruíbe teve sua obra iniciada em
1951, mas que ficou paralisada até o final da década, sendo inaugurada
somente nos anos sessenta.

A
partir de 1960, com a conclusão da BR-116, a bananicultura impõe-se como
principal linha produtiva, seja em área cultivada, em valor da produção,
em consumo de bens capital, seja em mão-de-obra.
O Acordo Nuclear Brasil-Alemanha assinado pelo presidente Ernesto
Geisel no dia 27 de junho de 1975 prometia uma verdadeira revolução
nesse campo. Com os alemães, o Brasil teria a oportunidade de adquirir
conhecimentos tecnológicos só conquistados por países do Primeiro
Mundo. O acordo tinha relevância econômica: previa a construção de
oito usinas nucleares, pois o governo esperava sérios blecautes a partir
da década de 80. Sendo que uma delas seria implantada na Juréia. O pavor
assolou toda a população, pois ninguém gostaria de ter como vizinho uma
usina.
Pelo impacto de tal notícia e pela resistência da sociedade organizada
os equipamentos que seriam usados em Peruíbe estão a mercê em Angra 3 e
o que era terrível, devastador transformou-se área de preservação.
O
enriquecimento de famílias nacionais e estrangeiras na lavoura, comércio
e indústria, as férias e as prescrições médicas possibilitaram e
difundiram o hábito veranear no litoral.Com
o incremento do turismo, ocorre que, de um lado, a população rural passa
a ter relações com a população flutuante, à medida que esta se
apresenta potencialmente consumidora de alguns de seus produtos: banana -
ouro, palmitos e frutas tropicais (caju, carambola e outras). De outro, a
mesma população flutuante tem necessidade de serviços urbanos, do
chamado comércio informal, que carece de força de trabalho adicional, de
serviços de limpeza de casa, de jardineiros, de guardas - noturnos, de
balconistas de bar... - força de trabalho que, em parte, é fornecida
pelos filhos dos sitiantes.
Ainda
com o desenvolvimento da função turística, ocorre uma nova valorização
das terras da área. Como resultado, temos a conseqüente expulsão
daquele morador que se encontrava nas proximidades da orla marítima.
Esses moradores buscam o caminho da serra para a nova instalação de seus
sítios: apossam-se da terra, constroem suas habitações e reiniciam o
processo.
Num
verdadeiro calidoscópio o turismo gerou sítios de lazer na baixada, onde
as cercas e pedras pintadas de branco, os jardins com flores, a piscina e
a bela casa de alvenaria contrastam com os sítios de posse interioranos,
com suas casas de pau - a - pique, com o bananal verde claro incrustado no
verde mais escuro da mata atlântica.
Finalmente, em 22 de junho de
1974, através da Lei Estadual, Peruíbe passou a ser reconhecida como Estância
Balneária, devido à suas peculiaridades naturais.
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